quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CASO ELOÁ - II - OS LINDEMBERGS NOSSOS DE CADA DIA


Ao pensarmos na possibilidade de casar ou simplesmente morar junto com alguém, seguimos, inadvertidamente, a tendência de analisar mais os pontos positivos do parceiro, vendo-os com lente de aumento, enquanto procuramos minimizar-lhe as imperfeições. É comum concluir que com uma convivência mais estreita um e outro podem conhecer mais a fundo idéias, sentimentos e reações mais recônditos e desconhecidos aos primeiros contatos. Conclusão ingenua pensar que as incontáveis opiniões expressadas diariamente a respeito de tantos acontecimentos, possam servir de subsídios para se prever as reações do companheiro em situações semelhantes. Com a maturidade o mundo real irá desnudar-se mostrando-nos que as pessoas são mutáveis e estão em constante processo, portanto é vã e tola essa segurança que se ampara nas evidências cotidianas. Na verdade podemos sempre nos surpreender com atitudes inesperadas, nos deparar com o que acreditávamos impossível ou inimaginável.
O que leva, então, alguém que pensávamos conhecer tão profundamente a agir de forma extremamente diversa do previsível? Primeiramente, o transcorrer da vida que vai calejando e moldando o jeito de ser de cada indivíduo e tornando-o diferente e por vezes até o oposto do que já foi ou do que se esperava dele. E mais outros fatores responsáveis por mudanças bruscas: as frustrações, a rejeição, a pressão, o sentir-se encurralado e sem alternativa frente a um impasse. Por essa perspectiva, qualquer pessoa contrariada em suas vontades e expectativas pode representar um perigo em potencial, desde que não tenha trabalhado e resolvido seus anseios e insucessos. Excluindo-se os casos ditos patológicos, não existe possibilidade de identificar os Lindembergs Nossos de Cada Dia, pois de fato somos todos passíveis de em situações extremas, agir como gatos acuados, que de dóceis animaizinhos podem se transformar em feras com garras e dentes à mostra.
Tarefa difícil essa de encontrar a pessoa certa para dividir conosco a casa, a cama, os sonhos, a vida. Como distinguir dentre tantas a que pode nos fazer feliz. Antes de tudo é preciso sair na chuva e se molhar mesmo porque não há outro modo de se chegar ao tão esperado encontro da chamada outra metade que nos completa. No entanto não é tão simples como pode parecer. Haveremos de bater com a cara na parede talvez um montão de vezes e apesar de tudo, continuar persistindo nessa busca. Persistir usando o discernimento necessário para saber recuar, voltar atrás diante dos equívocos e da descoberta de que um movimento errado pode levar a resultado mais desastroso. Por segurança, vale a pena estar sempre alerta a qualquer sinal de desamor e só permanecer com alguém quando o amor e o respeito forem recíprocos. Não ser nunca o vilão porque a maldade envenena antes de tudo a própria alma. Entretanto, não permitir que nenhum vilão desperdice um minuto sequer de nossos preciosos dias com comentários de desdém que tem o poder de destruir a nossa auto-estima. Ter a coragem de sair de uma relação infeliz, considerando a chance de encontrar uma pessoa melhor ou de ao menos viver com dignidade, mesmo sozinho. Desconfiar de quem não nos tem consideração e faz pouco caso de nossos sentimentos. Destratado uma vez, duas, não esperar mais. Saber a hora de reagir ao sofrer agressão verbal ou física e não protelar situações de insegurança. A vida a dois deve ser vivida em meio a bons sentimentos e companheirismo. Todo mundo tem o direito de ser feliz, mas todos nós somos responsáveis pela escolha da Felicidade Nossa de Cada Dia.

Um comentário:

Unknown disse...

ÊÊÊ!!!Atualização!!!Hehehhehe...

não quero comentar sobre esse fato triste,que fez um coro em evidência jornalística,factual,em direção aos crimes contra às crianças e às mulheres nesse 2008.Deixo um trechinho de algo que me ajuda.Cheiro,Aurita.




"Fica proibido chorar sem aprender,
acordar em algum dia sem saber o que fazer,
ter medo de tuas lembranças...

Fica proibido não sorrir para os problemas,
não lutar pelo que queres,
relevar tudo por medo,
não converter em realidade os teus sonhos...

Fica proibido não tentar compreender as pessoas,
pensar que suas vidas valem bem menos que a tua,
não saber que cada um tem o seu caminho e sua felicidade...

Fica proibido não criar a tua história,
não ter um momento para as pessoas que necessitam de ti,
não compreender que o que a vida te dá,
também de ti, lhe toma...

Fica proibido não buscar a tua felicidade,
não viver tua vida com uma atitude positiva,
não pensar em quê podemos ser melhores,
não sentir que sem você este mundo não seria igual..."

Pablo Neruda - Fica Proibido